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Planear a entrada da casa: quanto precisa mesmo de poupar?

Planear a entrada da casa: quanto precisa mesmo de poupar?

Muitos sabem que precisam da entrada para comprar casa, mas poucos percebem quanto devem ter disponível antes de procurar imóvel. A resposta vai além dos 10%.

19 Jun 20263 min

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O mito dos 10%

Quando se planeia comprar casa, a ideia mais difundida é que basta juntar 10% do valor do imóvel (já que o banco financia o máximo de 90%) para fechar negócio.

Contudo, na maioria dos casos, quem avança para a assinatura de um Contrato Promessa de Compra e Venda (CPCV) apenas com esse montante na conta arrisca-se a perder o sinal e a oportunidade da sua vida.

Os capitais próprios necessários para concretizar a escritura são, na realidade, substancialmente superiores a esses iniciais 10%.

Os encargos adicionais inadiáveis

Ao valor da entrada, o comprador tem obrigatoriamente de somar os encargos fiscais e processuais. O IMT e o Imposto do Selo são pagos dias antes da escritura.

Além disso, as despesas do processo bancário (comissões de abertura, avaliação) e os registos notariais rondam, na maioria dos casos, entre 1.500 a 3.000 euros adicionais.

Por exemplo, numa casa de 200.000€, a entrada será de 20.000€, mas as despesas extra poderão ultrapassar os 7.000€. Ou seja, o comprador precisa de liquidez imediata próxima dos 27.000€.

A exceção à regra: a Garantia Pública do Estado

A grande exceção a este cenário aplica-se aos jovens até aos 35 anos que compram a sua primeira Habitação Própria e Permanente. Através da Garantia Pública, o Estado atua legalmente como garante de até 15% da transação, o que permite aos bancos avançarem com um financiamento a 100% do valor da casa, eliminando a barreira da entrada inicial.

Além de não precisarem dos 10%, os jovens beneficiam da isenção total de IMT e Imposto do Selo (para imóveis até determinado teto máximo). No entanto, o crédito a 100% não significa comprar casa "a custo zero". Continuará a ser obrigatório ter poupanças disponíveis para pagar as comissões iniciais do banco (dossier e avaliação), a formalização da escritura no notário e os primeiros prémios dos seguros de vida e multirriscos.

A fórmula segura para a poupança

Caso não seja elegível para os apoios do Estado, e para não entrar em stress na reta final, guie-se por esta estrutura:

  • Aponte para 15%: Em vez de 10%, planeie poupar 15% do valor do imóvel para cobrir entrada e impostos.
  • Dinheiro para os seguros: Guarde uma margem para pagar o primeiro prémio dos seguros de Vida e Multirriscos.
  • Reserve um fundo de obras: A casa pode precisar de pequenas reparações ou mobiliário básico nos primeiros meses.

Visão clara antes do banco dizer sim

O planeamento real da compra exige uma visão global de todos os custos. A entrada é apenas a porta; os impostos e as despesas são as chaves. Quanto melhor preparado estiver, mais fluido será o processo com a instituição financeira.

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